Nossa História

Relato sobre ancestralidade e reconhecimento quilombola de Povoação e Lagoas

Durante o processo de reconhecimento das comunidades quilombolas na região de Degredo, no município de Linhares (ES), algumas famílias que possuem ancestralidade quilombola relatam ter ficado de fora do reconhecimento oficial. Entre esses relatos está o da senhora Deuzenir Bispo Rodrigues, conhecida na comunidade como “Mamãe da Praia”, mãe do senhor Walkimar Bispo Rodrigues, liderança comunitária e presidente da Associação Quilombola de Povoação do Rio Doce – Foz.

Segundo relatos familiares e comunitários, Dona Deuzenir possuía forte ligação histórica e ancestral com os quilombolas da região. Sua trajetória de vida esteve profundamente ligada ao território, às tradições culturais e às relações de parentesco que formam a base da identidade quilombola local.

No entanto, quando a comunidade de Degredo passou pelo processo de reconhecimento como comunidade quilombola, Dona Deuzenir e sua família não foram incluídas no reconhecimento formal. Esse fato gerou grande tristeza e sentimento de injustiça, uma vez que, na memória da comunidade, sua história e ancestralidade estão diretamente relacionadas à formação dos grupos quilombolas da região.

A exclusão de famílias que se reconhecem como descendentes quilombolas evidencia as complexidades presentes nos processos de reconhecimento oficial dessas comunidades. Muitas vezes, critérios administrativos, delimitações territoriais ou divergências institucionais acabam deixando de fora pessoas e famílias que possuem vínculos históricos e culturais com esses territórios.

O relato sobre Dona Deuzenir Bispo Rodrigues representa, portanto, um importante registro da memória comunitária e da luta por reconhecimento da ancestralidade quilombola na região de Povoação e Degredo. Preservar essas histórias contribui para fortalecer a identidade coletiva e ampliar o debate sobre justiça histórica e reconhecimento das comunidades tradicionais.

O início da luta pelo reconhecimento quilombola de Povoação

A partir das memórias e das injustiças vividas por famílias que não foram reconhecidas em processos anteriores, teve início um novo capítulo na luta pelo reconhecimento da identidade quilombola da comunidade de Povoação. Esse movimento ganhou força especialmente por meio da iniciativa do senhor Walkimar Bispo Rodrigues, filho de Deuzenir Bispo Rodrigues, conhecida na comunidade como “Mamãe da Praia”.

Motivado pela história de sua mãe e pela consciência da ancestralidade quilombola presente em diversas famílias da região, Walkimar passou a mobilizar moradores e lideranças comunitárias para buscar o reconhecimento oficial da identidade quilombola de Povoação e das comunidades vizinhas.

Esse processo contou com a participação e apoio de diferentes atores institucionais e sociais, entre eles representantes da empresa Linhares Geração, da ADAI (Associação de Desenvolvimento e Apoio às Comunidades), além de diversos moradores e lideranças locais que contribuíram com relatos históricos, documentos e informações sobre a ancestralidade das famílias da região.

Com base nesse trabalho coletivo de mobilização e levantamento de informações históricas e culturais, foi iniciado o processo formal de reconhecimento quilombola da comunidade de Povoação. Durante esse processo, foram realizadas visitas técnicas ao território, com a participação de representantes da Fundação Cultural Palmares, do Ministério Público Federal e do Ministério da Igualdade Racial, que tiveram a oportunidade de conhecer o território, ouvir os relatos da comunidade e analisar as evidências apresentadas sobre a ancestralidade quilombola da população local.

Após a análise das informações coletadas durante a visita técnica e do conjunto de provas apresentadas pela comunidade, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a legitimidade da identidade quilombola da região. Assim, no dia 05 de agosto, foi concedido o título de autorreconhecimento quilombola para a comunidade de Povoação e para outras comunidades do território tradicional.

Foram contempladas nesse reconhecimento as comunidades de:

  • Povoação

  • Lagoa Zacarias

  • Cananeia

  • Brejo Grande

  • Lagoa da Viúva

  • Barro Novo

  • Beira Rio

  • Monsarás



Esse reconhecimento representou um marco histórico para os moradores dessas comunidades, simbolizando não apenas a valorização de sua identidade cultural e ancestral, mas também o início de uma nova etapa na luta pelo fortalecimento dos direitos das comunidades quilombolas da região.

O processo demonstra a importância da organização comunitária, da preservação da memória coletiva e da união entre moradores e instituições para a conquista de direitos historicamente negados às populações negras e tradicionais no Brasil.

O reconhecimento oficial da comunidade quilombola

Após o processo de mobilização comunitária, levantamento de informações históricas e realização de visitas técnicas ao território, o pedido de reconhecimento da identidade quilombola das comunidades da região de Povoação avançou junto aos órgãos competentes do governo federal.

Durante esse processo, representantes da Fundação Cultural Palmares, do Ministério Público Federal e do Ministério da Igualdade Racial participaram de atividades e visitas técnicas na região, ouvindo os relatos das famílias, analisando documentos e observando os elementos históricos, culturais e sociais que demonstram a ancestralidade quilombola das comunidades locais.

Com base nessas evidências e no direito de autorreconhecimento, garantido às comunidades tradicionais quilombolas no Brasil, a Fundação Cultural Palmares decidiu reconhecer oficialmente a identidade quilombola do território.

A certificação de autorreconhecimento quilombola foi oficialmente publicada no Diário Oficial da União, nº 189, em 5 de agosto de 2024, representando um marco histórico para os moradores da região.

Foram reconhecidas como comunidades quilombolas:

  • Povoação

  • Lagoa Zacarias

  • Cananeia

  • Brejo Grande

  • Lagoa da Viúva

  • Barro Novo

  • Beira Rio

  • Monsarás

A publicação no Diário Oficial da União confirmou oficialmente o reconhecimento da identidade quilombola dessas comunidades, consolidando uma conquista construída por meio da mobilização dos moradores, das lideranças locais e do trabalho coletivo de diversas instituições.

Esse reconhecimento representa um passo fundamental na luta histórica das comunidades tradicionais da região, abrindo caminhos para a defesa do território, o fortalecimento da identidade cultural e o acesso a políticas públicas voltadas aos povos e comunidades quilombolas.

Nossa história viva

A Associação Quilombola de Povoação preserva tradições e fortalece nossa identidade cultural.

Origens
Missão

Promover o fortalecimento da identidade quilombola por meio da valorização da ancestralidade, da preservação da memória coletiva e da mobilização comunitária, garantindo o reconhecimento, a dignidade e os direitos das comunidades tradicionais de Povoação e região.

Origem

Nossa comunidade nasceu da luta por liberdade e identidade.

Crescimento

Ao longo dos anos, Raízes Vivas fortaleceu seus laços culturais, preservando tradições e promovendo o bem-estar coletivo da comunidade quilombola.

Futuro

Estamos comprometidos em garantir direitos, educação e sustentabilidade para as próximas gerações da povoação quilombola.